Domingo, Junho 26, 2011

A certa altura

A certa altura é como se
Saltasse qualquer coisa em ti
Que prendia e agarrava
Não deixando explodir a bomba

A certa altura perguntas com verdade
Quem sou eu?
E depois num silencioso decair
Torna-se a esquecer a urgência da vida

Mas acontece que
A certa altura volta
Insistente, urgente, mendicante
A pergunta: quem sou eu?

Porque nada do que é à volta
Só nas cores só na massa
Parece responder
Quem sou eu?

E a certa altura
Alguém te olha
Uma única vez talvez e com um olhar
Que vai mais longe em tudo o que desejas
E tu gostavas que esse olhar
Não te largasse não te deixasse nem metade dum segundo
Gostavas de viver sempre
No embate desse olhar

Alegra-te, tu que perguntas
Com verdade
Tu que desejas
Urgente
Esse olhar – ainda que breve
É sim, como intuis
Resposta aquela pergunta
Que não podes conter.

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