Quem te conhece coração vivo E te fez e te guia? Que linha segura segues tu Que linha misteriosa segues tu Que se mantém inalterável e firme Por dentro da inconstante monotonia dos dias?
Quem te mantém original e grande E ligado à tremenda fraqueza desta mão Quem te dá a batida, infinito Quem te uniu a esta mão finita?
Coração vivo e grande Só tu te podes espantar Com a tua própria existência Só tu te podes espantar Com a tua origem desejosa Só tu podes dizer: Eu.
Quando deixares de te avaliar Segundo a segundo Quando perceberes que o teu desejo De perfeição, de plenitude Não se cumpre na tua mão Mas no misterioso desígnio de Deus
Quando souberes esperar Esperar de ferida aberta Diante dos ataques do mundo Diante da chuva intensa Quando desistires de prever Reacções e pensamentos de quem tens diante
Mas será que sabes ver? Que já te encontras na estrada Na estrada da liberdade Onde a cada passo se avança e renasce Porque tudo o que se encontra É um tesouro para guardar e seguir?
Cada vez que o meu coração chora Todo o meu ser o tenta consolar E ele que só queria ser fiel Acaba por se fechar
Mas qualquer dia próximo, ou distante Já não poderei calar a urgência O vazio, a falta Que trago dentro
Hoje, amanhã Vou vivendo distante de mim Agarrando o que sei Usando o que alcanço
Mas como tudo o que agarro é vão Para consolar o coração Cada vez que o meu coração chora Todo o meu ser fica suspenso Nesse choro que se lança Sobre o desconhecido À procura de resposta